A sazonalidade na pecuária é um dos fatores que mais impactam a produção de carne a pasto no Brasil. Entender como o clima afeta a disponibilidade e a qualidade da forragem é essencial para garantir o desempenho do rebanho e planejar estratégias nutricionais inteligentes.
Neste artigo, vamos mostrar os desafios da pecuária a pasto frente à sazonalidade e como técnicas de manejo e suplementação podem ajudar a contornar os cenários críticos.
O que é sazonalidade na pecuária?
A sazonalidade, no contexto da pecuária, refere-se às variações do clima ao longo do ano, principalmente a alternância entre período chuvoso e seco. No Brasil, essa questão é especialmente relevante devido ao clima tropical e à grande dependência das chuvas para a produção de pasto.
O país possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo e, segundo a Embrapa, cerca de 95% da criação de animais ocorre em sistemas a pasto ou extensivos. Além disso, de cada quatro hectares de área pecuária, três são destinados à pastagem (MapBiomas, 2023). Apesar dessa vasta extensão, a pecuária a pasto enfrenta um desafio constante: a sazonalidade climática, que impacta diretamente o desempenho do rebanho e a produtividade.
Como a sazonalidade impacta a alimentação do gado
A base alimentar do gado a pasto são as forragens, cuja quantidade e qualidade variam conforme a estação:
- Período chuvoso (primavera e verão): crescimento intenso das pastagens, com maior disponibilidade de proteína e energia.
- Período seco (outono e inverno): menor volume de pasto, queda na qualidade nutricional e aumento da competição por alimento entre os animais.
Compreender essas mudanças é fundamental para que o pecuarista possa planejar o manejo do pasto e a suplementação nutricional, garantindo ganho de peso consistente e eficiência produtiva ao longo de todo o ano.
Como enfrentar a sazonalidade na pecuária
Para reduzir os efeitos da sazonalidade e manter a produtividade do gado a pasto, três pilares de manejo são fundamentais: pastagem, suplementação e planejamento reprodutivo.
1. Manejo da pastagem
O primeiro passo é garantir capim na quantidade e qualidade certas, na hora certa. Uma estratégia eficiente no final da estação das águas é isolar áreas de pasto e deixá-las crescer, formando reservas que serão utilizadas durante a seca.
Além disso, a correção do solo por meio de calagem e adubação é essencial, pois um solo equilibrado produz forragem mais nutritiva e resistente. O pastejo rotacionado também contribui, permitindo que as plantas descansem e se recuperem, garantindo pasto sempre no ponto ideal de consumo.
2. Suplementação estratégica
Durante a seca, o pasto perde qualidade, principalmente proteína, e isso afeta diretamente a digestão do gado, já que as bactérias do rúmen dependem desse nutriente para processar a fibra. A suplementação estratégica corrige essas deficiências, mantendo o desempenho do rebanho mesmo nos períodos críticos e garantindo que o ciclo de engorda a pasto continue eficiente.
3. Planejamento reprodutivo
O terceiro pilar é o planejamento da reprodução. Em fazendas de cria, o ideal é programar a monta para que os bezerros nasçam no período das águas. Assim, a matriz terá pasto de qualidade para produzir mais leite, e o bezerro, ao iniciar a alimentação com capim, terá acesso à melhor forragem, resultando em desmames mais pesados e maior eficiência geral do rebanho.
Checklist de manejo e suplementação por época do ano
Sazonalidade como fator estratégico
A sazonalidade na pecuária a pasto não é um desafio passageiro. Ignorá-la compromete o desempenho do rebanho e a eficiência das propriedades, mas antecipar seus efeitos e planejar estratégias adequadas é o que diferencia sistemas produtivos mais rentáveis daqueles que operam constantemente no limite.
