A pré-desmama é uma fase importante da pecuária de corte. No período de desmama, o bezerro passa por mudanças importantes em sua alimentação e ambiente. Como resultado, ele se torna mais vulnerável a doenças, o que pode gerar perdas produtivas e econômicas significativas para a fazenda.
Estudos indicam que a taxa de mortalidade de bezerros entre o nascimento e a desmama pode chegar a 10%, principalmente por doenças e falhas no manejo. Por isso, planejar corretamente a fase de pré-desmama é essencial para garantir um rebanho mais saudável e produtivo.
Principais pontos abordados neste artigo
- Por que a desmama é uma fase crítica para a imunidade do bezerro
- Quais são os principais riscos sanitários nesse período
- Como a vacinação e a vermifugação ajudam a prevenir perdas
- A importância do manejo racional no desmame
- Por que antecipar decisões melhora os resultados na fazenda
Por que a desmama é uma fase crítica?
Durante a desmama, o bezerro passa por três grandes desafios ao mesmo tempo:
Primeiro, ocorre o fim da imunidade passiva. A proteção recebida pelo colostro, logo após o nascimento, começa a diminuir, deixando o animal mais exposto a agentes patogênicos.
Além disso, o animal entra em um período de estresse, pois se aproxima da separação da mãe. Esse estresse impacta diretamente o sistema imunológico e favorece o surgimento de doenças.
Por fim, há a adaptação a novas dietas e ambientes. A mudança da alimentação baseada no leite para o consumo de forragem e suplemento exige muito do organismo do bezerro, o que pode comprometer seu desempenho.
Dessa forma, sem um manejo adequado, o animal fica mais suscetível a doenças e infecções que comprometem seu desenvolvimento.
Vacinação e vermifugação na pré-desmama: antecipar é a chave
Um calendário sanitário bem estruturado faz toda a diferença durante a pré-desmama. As vacinas mais importantes nesse período são contra clostridioses e raiva, que devem ser aplicadas quando o bezerro tem entre 3 e 4 meses de idade, dependendo da região.
Além disso, não se recomenda vacinar no dia do desmame, pois o estresse da separação reduz a resposta imunológica do animal. Antecipar esse manejo aumenta consideravelmente a eficiência das vacinas.
Outro cuidado essencial na fase de pré-desmama é a vermifugação. A recomendação é iniciar esse processo a partir dos três meses de idade, quando o bezerro começa a ter maior contato com a forragem e os parasitas presentes no ambiente.
Além disso, vermifugar as vacas no terço final da gestação ajuda a diminuir a contaminação do ambiente, o que favorece o nascimento de bezerros mais saudáveis.
Manejo racional no desmame reduz estresse e doenças
O desmame é um dos momentos mais estressantes da vida do bezerro. Por isso, o manejo racional faz toda a diferença para manter a saúde do rebanho.
Métodos mais tranquilos, como o desmame lado a lado, onde vaca e bezerro conseguem se ver e se ouvir nos primeiros dias, reduzem o estresse e evitam quedas bruscas de imunidade.
Além disso, evitar gritos, correria e manejo agressivo contribui diretamente para diminuir a ocorrência de doenças logo após o desmame.
Dessa forma, o bem-estar animal deixa de ser apenas uma questão ética e passa a ser uma estratégia produtiva e econômica.
Planejamento antecipado: o segredo da eficiência
Um dos principais aprendizados sobre a pré-desmama é a importância da antecipação. Pensar no manejo sanitário com meses de antecedência permite:
- Melhor organização do calendário de vacinas e vermífugos
- Compra planejada de insumos
- Redução de custos emergenciais
- Maior taxa de sobrevivência e desempenho dos bezerros
Dessa forma, a pecuária se torna mais previsível, eficiente e lucrativa.
A desmama não é apenas uma fase de transição: ela define boa parte do futuro produtivo do bezerro. O pecuarista que investe em vacinação antecipada, vermifugação correta, manejo racional e boa nutrição reduz perdas, melhora o ganho de peso e fortalece todo o sistema de produção.
Com planejamento e uma boa gestão, apoiados por sistemas como o iRancho, o pecuarista passa a ter mais controle, previsibilidade e segurança nas decisões sanitárias do rebanho.
Fonte: Giro do Boi, adaptado pela redação iRancho.