A pecuária de corte é uma atividade praticada em larga escala no Brasil e desempenha um papel crucial tanto no abastecimento do mercado interno de carne bovina quanto nas exportações. Ela envolve diferentes fases de manejo do gado, desde o nascimento do bezerro até a engorda final, sendo cada etapa importante para garantir maior eficiência e produtividade.
Neste artigo, exploramos:
- Fases da pecuária de corte e os produtos de cada etapa: bezerro, boi magro e boi gordo – entenda cada etapa do ciclo produtivo e saiba qual é o resultado esperado em cada fase.
- A importância de planejar cada fase para aumentar eficiência e lucro – descubra como o planejamento da cria, recria e engorda impacta diretamente o desempenho do rebanho, o custo de produção e a rentabilidade da fazenda.
Quais são as fases da pecuária de corte?
A produção destinada a corte divide-se em três etapas principais: cria, recria e engorda (ou terminação). Quando uma propriedade realiza as três fases, ela possui um ciclo completo, onde cada etapa gera um produto: bezerro, boi magro e boi gordo.
O que acontece na fase da cria?
A cria é a base de toda a produção. Nessa etapa, utilizamos as fêmeas para produzir bezerros, seja por acasalamento natural ou por técnicas como inseminação artificial em tempo fixo (IATF).
Em algumas fazendas, o acasalamento acontece o ano todo, mas em propriedades que utilizam tecnologias como a IATF, a reprodução é geralmente concentrada na estação de monta, que ocorre de outubro a janeiro. Esse período coincide com as chuvas, garantindo mais forragem para as matrizes, e faz com que os bezerros nasçam entre agosto e outubro, no período mais seco do ano, o que ajuda a reduzir doenças e parasitas.
O período de cria vai do nascimento até a desmama, que normalmente ocorre aos 7 meses. Nesta etapa, a produção gera o bezerro desmamado como principal produto, que segue para a recria ou para a comercialização.
Recria: preparando o boi magro para a engorda
A recria começa após a desmama e segue até que o animal atinja aproximadamente 14 arrobas, momento em que é chamado de boi magro. Esse é um animal que cresceu em tamanho e estrutura corporal, mas ainda não está pronto para o abate.
No Brasil, pecuaristas realizam a recria, em sua maioria, a pasto e, por isso, dependem de forragem de qualidade e em quantidade suficiente. Quando conduzem bem o manejo, essa fase gera menor custo por arroba, e se torna a etapa mais eficiente do ciclo da pecuária.
Fase de engorda e terminação
A engorda, ou terminação, é a etapa final da pecuária de corte, com duração de 90 a 120 dias, dependendo do peso inicial e dieta. O objetivo é transformar o boi magro em boi gordo, alcançando entre 18 e 20 arrobas e garantindo uma camada uniforme de gordura na carcaça.
A escolha do sistema de terminação impacta diretamente o custo de produção, o tempo de engorda e o acabamento da carcaça. No sistema a pasto, o gado se alimenta da forragem disponível e recebe suplementação no cocho, garantindo ganho de peso mesmo durante a estação seca.
No confinamento, os animais são mantidos em currais ou piquetes e recebem dieta completa no cocho, composta por volumoso e concentrado, sem acesso ao pasto.
Dessa forma, a escolha do sistema influencia diretamente a eficiência da terminação, o ganho de peso e o acabamento da carcaça, garantindo maior produtividade e qualidade do produto final.
Por que entender cada fase é importante?
Cada etapa da produção representa desafios e características próprias. Compreender a duração e as necessidades de cada fase permite planejar melhor a alimentação, o manejo e as estratégias de venda.
Dessa forma, o pecuarista consegue maximizar o desempenho do rebanho, reduzir custos e aumentar a produtividade, tornando a pecuária de corte mais eficiente e lucrativa.