Com o fim do período chuvoso, torna-se uma preocupação para pecuaristas a produtividade da pastagem na seca. A dúvida é comum: como garantir uma boa oferta de massa forrageira na seca sem elevar os custos da produção?
Essa preocupação é ainda maior em sistemas de criação que dependem apenas do pastejo, onde a produção está diretamente ligada à qualidade e quantidade da forragem disponível.
Por que a pastagem sofre tanto na seca?
Durante a transição para o período seco, a redução da umidade do solo afeta o desenvolvimento das plantas forrageiras. Como resultado, menos água disponível, o capim de raízes rasas enfrenta dificuldades para se manter verde e produtivo.
Dessa forma, esse cenário leva à queda da qualidade nutricional da pastagem, à diminuição na taxa de lotação e, consequentemente, à perda de desempenho do rebanho.
A importância de agir enquanto o capim ainda está verde
Para prolongar a vida útil da pastagem na seca e garantir a disponibilidade de forragem, é fundamental adotar medidas enquanto o capim ainda está realizando fotossíntese. Isso significa agir no momento certo: antes de iniciar a seca.
Uma das estratégias mais eficazes é a aplicação de fertilizantes diretamente nas folhas do capim. Isso ajuda a planta a criar raízes mais profundas e fortes, que conseguem buscar água nas camadas mais fundas do solo. Assim, mesmo quando a chuva para e o solo superficial seca, o capim ainda consegue se manter verde por mais tempo, resistindo melhor ao período de seca.
Para isso, é essencial utilizar fertilizantes que contenham cálcio, fósforo, nitrogênio e aminoácidos, nutrientes que estimulam o crescimento das raízes, mantêm o capim vigoroso e aumentam sua resistência ao estresse hídrico.
O resultado é um pasto mais produtivo por mais tempo, garantindo segurança alimentar ao rebanho e reduzindo custos com suplementação.
Vantagens econômicas e operacionais
Investir em práticas de manejo antecipado reduz a necessidade de ações emergenciais mais caras, como a suplementação intensiva com ração ou a redução drástica do rebanho. Ao manter a estabilidade da produção forrageira, o pecuarista assegura maior previsibilidade de desempenho animal e, com isso, menor impacto financeiro durante a entressafra.
Estratégias complementares de manejo durante a seca
Além da aplicação foliar, outras ações podem ser combinadas para que a eficiência do manejo da pastagem durante a seca seja aumentada:
- Manejo rotacionado das áreas de pastejo, promovendo períodos adequados de descanso para a recuperação do capim;
- Sobressemeadura com espécies forrageiras adaptadas à seca, como milheto;
- Ajuste da carga animal, evitando o sobrepastejo e mantendo o equilíbrio entre oferta e demanda de forragem.
Durante a estiagem, o produtor pode aplicar outras estratégias, como suplementos, rotação de pastagens e o sequestro bovino, para manter o desempenho do rebanho e a preservar a pastagem.
O manejo eficiente da pastagem na seca começa ainda na estação chuvosa. Antecipar-se é a chave para garantir forragem de qualidade no período seco, evitando prejuízos e mantendo a estabilidade da produção pecuária ao longo do ano.
Fonte: Giro do boi, adaptado pela equipe iRancho