Vacas brancas em um pasto verde estão paradas e olhando para a câmera

Como escolher a matriz para inseminação?

Escolher a matriz para inseminação (reprodução), seja por IA ou IATF, exige uma análise de diversos critérios para garantir a eficiência reprodutiva do rebanho

Além disso, um sistema de cria bem implementado é essencial para o sucesso da inseminação artificial, resultando em melhores resultados econômicos e genéticos

Por isso, o uso de biotecnologias como a inseminação artificial (IA) e a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) está crescendo cada vez mais. 

Neste artigo, vamos detalhar os critérios para a seleção de matrizes, a importância de uma boa estrutura de curral, a organização dos pastos e os cuidados necessários para uma inseminação eficaz.

Quais os critérios para escolher a matriz?

A escolha correta da matriz é um dos principais fatores que influenciam o sucesso da inseminação artificial em bovinos. 

Na hora de escolher a matriz, é importante avaliar várias características das fêmeas, tais como potencial genético, peso, idade, escore de condição corporal. 

A seguir, veja oito critérios essenciais para a seleção de vacas para inseminação.

1. Sanidade

A saúde do animal é primordial. Portanto, vacas doentes ou debilitadas podem comprometer a taxa de sucesso da inseminação.

2. Histórico reprodutivo

As vacas com histórico de problemas reprodutivos, como dificuldade de parir, abortos frequentes ou longo intervalo de partos, podem ter dificuldade em emprenhar e manter a gestação.

Essas características são critérios usados no descarte de fêmeas.  

4. Genética

A qualidade genética é um dos principais objetivos da inseminação artificial.

Com isso em mente, o ideal é escolher a matriz com um bom histórico genético, que apresente características desejáveis para o rebanho.

Alta produtividade de carne, boa conformação e resistência a doenças são alguns pontos para observar.

5. Habilidade materna

Outro ponto importante. Neste caso, tente compreender a capacidade da matriz de produzir leite e de cuidar da cria. 

Dessa forma, matrizes com boa habilidade materna criam vínculos com seus bezerros e os protegem contra predadores.

Assim como contribuem para a desmama de bezerros mais pesados.

6. Eficiência reprodutiva

Não deixe de avaliar também o desempenho da matriz com relação ao peso dos bezerros desmamados e a idade ao primeiro parto (IPP), que é influenciada pela genética, nutrição e manejos adotados. 

Além disso, observe o intervalo de partos da matriz. Considere que o ideal é que seja de 12 meses (ou perto disso).

Lembre-se que o intervalo de partos depende do período de serviço, ou seja, do intervalo da parição até a primeira cobertura ou inseminação artificial. 

Gado de corte Nelore na fazenda olhando para a tela do iRancho: sistema de gestão de fazenda
Com o iRancho fica fácil coletar e armazenar os dados do seu rebanho

7. Escore de condição corporal

O escore de condição corporal (ECC) é uma avaliação visual que permite classificar os animais conforme a cobertura muscular e de gordura presente na sua estrutura corporal. 

O ECC indica o estado nutricional dos animais, que contribui para a elaboração da estratégia nutricional adequada. 

Além disso, é uma ferramenta indispensável para o manejo como indicativo para o potencial reprodutivo das vacas.

8. Peso corporal

No caso da escolha de fêmeas jovens, é preciso ter um manejo correto para determinar o momento ideal de emprenhar uma novilha. 

Neste cenário, um dos principais critérios para essa decisão é o peso da novilha.

Esse fator é determinante para assegurar que ela tenha desenvolvido estrutura corporal e condição nutricional para suportar a gestação e o parto, mas sem comprometer sua saúde ou a do bezerro.

O peso adequado para emprenhar uma novilha na pecuária de corte geralmente corresponde a cerca de 60-65% do peso adulto estimado para a raça específica – percentual considerado ideal para garantir que a novilha tenha maturidade corporal e reservas energéticas suficientes para a gestação. 

Qual a importância de uma boa estrutura de curral nessa escolha?

Vaca em meio à grama no curral

Você já deve saber que uma boa estrutura de curral é fundamental para o manejo reprodutivo de bovinos.

Afinal, um curral bem planejado facilita a execução das atividades, reduz o estresse dos animais e até minimiza o risco de acidentes.

E isso impacta diretamente na hora de escolher a matriz para reprodução.

Por isso, para a inseminação artificial, alguns aspectos devem ser considerados. Acompanhe.

Conforto e segurança

O curral deve proporcionar conforto e segurança tanto para as vacas em reprodução, para os animais em geral e para os colaboradores da fazenda. 

Isso significa ter espaços adequados para contenção e movimentação dos bovinos para, assim, evitar acidentes e garantir que os procedimentos sejam realizados com eficiência.

Equipamentos adequados

Bretes, troncos de contenção, corredores. Esses equipamentos são fundamentais para o manejo. E devem ser de boa qualidade.

Nada de economia nessa hora!

Além disso, é preciso investir em uma manutenção regular para se certificar que os equipamentos estão em boas condições de uso.

Dessa forma, você evita falhas de funcionamento durante o manejo, refletindo na produtividade da operação.

Localização e acesso

O curral deve estar localizado em um ponto estratégico da fazenda, com fácil acesso para a entrada e saída dos animais.

Isso facilita o manejo e reduz o tempo necessário para a realização dos procedimentos.

Qual a relação da pastagem e nutrição das matrizes na reprodução?

A alimentação adequada das vacas de corte é fundamental para o sucesso da inseminação artificial

Isso porque ela influencia diretamente no estado corporal dos animais, que deve estar em boas condições para que as vacas entrem em cio regular e apresentem maiores taxas de concepção.

Uma dieta balanceada assegura que as vacas tenham a saúde e a resistência adequadas para suportar a gestação e produzir bezerros saudáveis.

Por outro lado, a alimentação adequada contribui para a manutenção do escore de condição corporal (ECC) ideal, um fator crítico para o manejo reprodutivo. 

Outra questão interessante é sobre as vacas com ECC muito baixo. Elas podem ter dificuldades reprodutivas, como ciclos irregulares e baixa fertilidade, enquanto aquelas com ECC muito alto podem enfrentar problemas metabólicos e distocias.

Portanto, ajustar a dieta para que as vacas mantenham um ECC ótimo não só melhora a eficiência reprodutiva, mas também maximiza as chances de sucesso da inseminação artificial.

Com isso, o ambiente uterino torna-se mais favorável para a implantação do embrião.

A nutrição adequada também influencia a recuperação pós-parto e a preparação para novas inseminações. Ou seja, as vacas bem alimentadas recuperam mais rapidamente após o parto, e retornam ao ciclo reprodutivo em intervalos mais curtos entre partos.

Seguindo essas dicas, você vai conseguir contar com um rebanho ainda mais produtivo ao longo do tempo.

Leia mais: Como a nutrição das matrizes afeta o seu desempenho reprodutivo?

Quais os cuidados para ter sucesso na inseminação?

Para que a inseminação artificial seja eficaz, é importante a detecção correta do cio no caso de realizar somente a IA. Para isso, os profissionais podem utilizar técnicas como a observação visual ou marcadores.

No caso da IATF, é fundamental que os protocolos hormonais sejam recomendados e realizados por especialistas. Assim como para realizar a inseminação.

Afinal, o armazenamento em botijão específico até a aplicação adequada são pontos chave para garantir a qualidade do sêmen, dentre outros cuidados que só um especialista é capaz de ter.

Depois de escolher a matriz e realizar a inseminação, a observação de sinais de retorno ao cio e a realização de exames de ultrassonografia no diagnóstico de gestação podem confirmar a prenhez.

Dessa forma, o produtor pode ficar tranquilo quanto ao sucesso do procedimento.

Considerações finais

Depois de tudo que explicamos aqui, está claro que escolher a matriz para inseminação artificial é um processo complexo.

A sanidade e o estado corporal das vacas, o histórico reprodutivo e a qualidade genética são alguns fatores determinantes para a seleção das vacas para reprodução. 

Além disso, uma boa estrutura de curral, a organização eficiente dos pastos e os cuidados específicos durante o manejo reprodutivo são igualmente fundamentais.

Portanto, vale lembrar: implante um sistema de cria bem estruturado na fazenda, com práticas de manejo reprodutivo adequadas.

Afinal, isso não só aumenta as chances de sucesso da inseminação, mas também reflete na melhoria genética do rebanho e em melhores resultados econômicos.

Tudo o que você precisa é de uma abordagem cuidadosa e bem planejada. Dessa forma, é possível alcançar a eficiência máxima na reprodução das suas matrizes. 

Produtor (a), agora que você já sabe como escolher a matriz, que tal entender um pouco sobre a importância da identificação individual das vacas em reprodução? Leia tudo em nosso artigo!

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