No Brasil, principalmente na região central, muitas fazendas já adotam o sistema de Integração Lavoura-Pecuária. Nesse modelo, o produtor não olha apenas para a colheita do grão. Enquanto a lavoura cresce, ele já planeja como aproveitar a área depois, buscando manter a terra produtiva ao longo do ano. É então que surge o boi safrinha.
O que você vai ler neste artigo
- O que é o boi safrinha e como ele funciona
- Como o produtor aproveita melhor a área após a colheita
- Quais são os principais benefícios desse sistema
O que é o boi safrinha?
De forma simples, o boi safrinha acontece quando o produtor usa a forragem da lavoura como pasto para o gado no intervalo entre uma safra e outra. Enquanto o solo se prepara para o próximo plantio, os animais entram na área e aproveitam essa pastagem temporária, o que ajuda a manter a terra protegida e bem aproveitada.
O nome boi safrinha faz referência à segunda safra de milho, conhecida como milho safrinha. A lógica é a mesma: aproveitar um período que antes era pouco explorado.
Nesse sistema, a forrageira é plantada junto com o milho ou lançada sobre a soja. Após a colheita, ela se desenvolve e se transforma em alimento para o gado, garantindo pasto em um momento importante do ano.
Segundo dados da Embrapa Cerrados, esse sistema ocupou cerca de 3 milhões de hectares no Cerrado na safra 2019/2020. Esse número mostra como a prática vem se consolidando no campo.
Benefícios para toda a cadeia produtiva
Com essa estratégia, o produtor consegue resolver dois desafios ao mesmo tempo. Enquanto alguns produtores de grãos enfrentam dificuldade para ter bons resultados na segunda safra, muitos pecuaristas sofrem com a falta de pasto na estação seca. A Integração Lavoura-Pecuária permite usar a mesma área ao longo do ano, evitando que o solo fique parado.
Os resultados aparecem também no desempenho dos animais. Em pesquisa realizada pela Embrapa Cerrados, em pastos secos tradicionais o gado costuma ganhar entre 100 e 150 gramas por dia. No sistema de boi safrinha, esse ganho pode chegar a 900 gramas por dia, mesmo sem confinamento total.
Quem planeja o boi safrinha sai na frente
Enquanto a lavoura está em pleno desenvolvimento e a safra de verão acontece, o produtor precisa ir além da colheita e planejar os próximos passos da área. Nesse momento, ele avalia se vai usar a área para o boi safrinha, decisão que evita improvisos e perda de tempo após a colheita. Também é quando define quando o gado vai entrar na área, quantos animais podem ser usados e por quanto tempo eles vão permanecer ali.
Esse planejamento antecipado ajuda a evitar áreas paradas, melhora o uso da terra e garante alimento para o gado quando o pasto tradicional começa a faltar. No fim das contas, o boi safrinha mostra que o planejamento faz toda a diferença. Ao integrar lavoura e pecuária, o produtor transforma um período antes pouco produtivo em mais renda, mais eficiência e melhor uso da terra.
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