Os ectoparasitas na pecuária de corte representam um sério desafio econômico e sanitário para a produção. Além de comprometerem o desempenho dos animais, eles causam prejuízos significativos na produtividade e na rentabilidade da atividade. O controle de ectoparasitas exige atenção constante, especialmente no período chuvoso, quando as condições favorecem o aumento das infestações.
O que você vai ler neste artigo
- O que são ectoparasitas;
- Quais são os principais ectoparasitas na pecuária;
- Os prejuízos econômicos causados por essas infestações;
- A importância do controle, especialmente no período chuvoso.
O que são ectoparasitas?
Os ectoparasitas são organismos que vivem sobre os hospedeiros, principalmente na pele e nos pelos dos animais, pois é nesse local que encontram condições ideais para sua sobrevivência, como alimento (sangue, secreções ou células da pele), abrigo e facilidade de reprodução.
Esses parasitas causam grandes perdas produtivas, principalmente pela redução do ganho de peso, pela depreciação da qualidade da carne e pelos danos ao couro. Além disso, transmitem agentes patogênicos e produzem lesões que predispõem os animais a infecções secundárias.
Durante o período chuvoso, principalmente nos meses de verão, como janeiro, a incidência de parasitas tende a aumentar de forma expressiva. Nessa época, eles encontram condições ideais para se multiplicarem. Por isso, o monitoramento do rebanho deve ser constante e, sempre que possível, diário, a fim de evitar quedas no ganho de peso e outros impactos produtivos.
Principais ectoparasitas na pecuária
Carrapato
O carrapato é, de modo geral, o ectoparasita que mais causa prejuízos à pecuária bovina brasileira. Ele se alimenta do sangue dos animais, provocando anemia, irritação constante e perda de peso. Em infestações severas, pode facilitar o surgimento de miíases (bicheiras) e até levar o animal à morte.
Além disso, o carrapato é vetor de doenças graves, como a Tristeza Parasitária Bovina (TPB), e sua presença está diretamente relacionada à redução da produção de carne e ao menor desempenho do rebanho. Um levantamento liderado pelo pesquisador Laerte Grisi, publicado na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, estima que os prejuízos causados pelo carrapato ultrapassam US$ 3,2 bilhões por ano no Brasil.
No entanto, um erro comum no manejo é focar apenas nos carrapatos visíveis sobre os animais. Aproximadamente 5% dos carrapatos de uma fazenda estão nos bovinos, enquanto cerca de 95% permanecem no ambiente, principalmente no pasto, na forma de ovos e larvas aguardando o hospedeiro. Por esse motivo, o controle de ectoparasitas na pecuária deve considerar não apenas o animal, mas todo o sistema de produção.
Berne
O berne é causado pela larva da mosca Dermatobia hominis. Essa larva se instala sob a pele do bovino, formando nódulos dolorosos que causam grande desconforto ao animal. Como consequência, ocorre estresse, redução do consumo de alimento e queda no ganho de peso.
Além disso, as lesões causadas pelo berne depreciam o couro, gerando perdas econômicas na comercialização.
Mosca-dos-chifres
A mosca-dos-chifres é outro ectoparasita de grande importância econômica. Diferente de outras moscas, a mosca-do-chifre permanece no animal quase 24 horas por dia, saindo apenas para botar ovos. Esse comportamento causa irritação constante, fazendo com que o bovino se alimente menos e gaste mais energia tentando se livrar das moscas. Como resultado, há queda no ganho de peso e na eficiência produtiva. Além disso, infestações severas aumentam o estresse dos animais e podem favorecer o surgimento de feridas e infecções secundárias.
Bicheira
A bicheira, ou miíase, ocorre quando as moscas (Cochliomyia hominivorax) depositam seus ovos em feridas abertas como umbigo e castração. As larvas se alimentam do tecido vivo, causando lesões profundas, dor intensa e risco de infecção generalizada.
Quando não tratada rapidamente, a bicheira pode levar à perda total do animal. Além dos prejuízos diretos, esse problema exige manejo imediato e uso de medicamentos, aumentando os custos de produção.
Não existe bicheira sem ferida prévia. Os dados mostram que os casos ocorrem principalmente em:
- Umbigos de bezerros: Cerca de 60% dos casos em épocas de parição.
- Procedimentos cirúrgicos: Castração e descorna sem o uso adequado de repelentes.
- Ferimentos acidentais: Arame farpado e brigas entre animais.
- Picadas de carrapato: A lesão deixada pela queda do carrapato é uma das maiores causas de bicheira “espalhada” pelo corpo do animal.
Prejuízos econômicos causados pelos ectoparasitas
Os prejuízos econômicos provocados pelos ectoparasitas na pecuária vão muito além da perda de peso dos animais. Além de reduzir o desempenho do rebanho, esses parasitas danificam o couro, transmitem agentes patogênicos e provocam lesões que favorecem infecções secundárias. Como resultado, aumentam os gastos com tratamentos, medicamentos e mão de obra, elevando significativamente o custo de produção.
Quando não há um manejo adequado, as perdas se tornam ainda maiores. Em casos mais graves, a infestação pode levar à morte dos bovinos, gerando prejuízos diretos ao pecuarista. Além disso, sistemas de produção, quando mal manejados, tendem a favorecer a multiplicação dos ectoparasitas, aumentando a pressão parasitária no rebanho.
Por isso, investir em prevenção e no controle de ectoparasitas é sempre mais eficiente e econômico do que tratar infestações já avançadas.
Controle de ectoparasitas: a importância de quebrar o ciclo de vida
O controle de ectoparasitas na pecuária deve ser baseado na quebra do ciclo de vida desses parasitas, especialmente em sistemas extensivos e durante o período chuvoso, quando as condições ambientais favorecem sua multiplicação. Para isso, é fundamental adotar estratégias integradas, que envolvem o manejo do animal e do ambiente, como:
- Monitoramento frequente do rebanho;
- Uso correto e estratégico de produtos veterinários;
- Manejo adequado das pastagens;
- Tratamento de animais infestados no momento certo.
Embora o pico de infestação ocorra do verão ao outono, o controle estratégico deve começar ainda na primavera. Dessa forma, é possível impedir que as primeiras gerações de ectoparasitas se multipliquem, reduzindo significativamente a infestação ao longo do período chuvoso e evitando prejuízos maiores.
Dessa forma, ao adotar essas práticas de forma planejada, o pecuarista reduz a pressão parasitária na propriedade, evita o desenvolvimento de resistência aos produtos e garante melhor desempenho produtivo do rebanho.
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