A transição entre o período seco e o início das chuvas é um momento importante no calendário da pecuária. Nessa fase, o manejo nutricional do rebanho torna-se essencial, exigindo ajustes estratégicos na suplementação para preservar a saúde e maximizar o desempenho produtivo dos animais.
O desafio da transição: pasto em recuperação
Com a chegada das primeiras chuvas em diversas regiões do país, inicia-se o processo de recuperação das pastagens. Embora o pasto comece a rebrotar, ele ainda não apresenta o seu pleno valor nutricional, sendo necessário adotar medidas que compensem essa deficiência temporária.
Sendo assim, é fundamental respeitar o momento adequado de entrada dos animais nas áreas em recuperação. Esse cuidado evita o superpastejo e permite que as plantas restabeleçam suas reservas energéticas, garantindo uma forragem de melhor qualidade e maior capacidade de suporte ao longo da estação chuvosa.
Uso da ureia na suplementação durante a seca
Ainda durante o período seco, a ureia desempenha um papel importante como fonte de nitrogênio não proteico, servindo de substrato para as bactérias ruminais. Essa suplementação melhora a digestibilidade e o consumo da forragem seca, reduzindo perdas de peso e mantendo o metabolismo dos animais ativo.
Além disso, o fornecimento de ureia estimula o consumo do pasto fibroso e pobre em proteína, otimizando o aproveitamento dos recursos disponíveis na fazenda e preparando o rebanho para a chegada das chuvas.
Suplementação no início das chuvas
Com o retorno das chuvas, há um aumento significativo na qualidade nutricional das pastagens, especialmente em termos de proteína bruta e digestibilidade. Entretanto, a adaptação do rebanho à nova dieta deve ser gradual e planejada.
Dessa forma, nesse momento, recomenda-se reduzir progressivamente a suplementação proteica, equilibrando o fornecimento de nutrientes com a melhoria natural da forragem. Esse ajuste garante a continuidade do desempenho animal, evita desperdícios e minimiza riscos de distúrbios metabólicos, como intoxicação por ureia ou acidose ruminal.
Manter um programa nutricional estruturado é essencial para adaptar a suplementação de forma segura, conforme a evolução do pasto e as metas de produção.
Benefícios do manejo nutricional adequado
Um manejo nutricional bem executado durante a transição entre seca e águas é um dos pilares da pecuária sustentável e produtiva. Entre os principais benefícios estão:
- Desenvolvimento metabólico: prepara o animal para a fase de maior exigência nutricional, otimizando o aproveitamento do pasto novo.
- Melhora da fertilidade: vacas e novilhas bem nutridas apresentam melhor escore corporal, o que favorece a taxa de prenhez.
- Metas produtivas: garante que os animais mantenham a curva de crescimento ou alcancem o peso de abate dentro do prazo planejado.
A suplementação, portanto, não é apenas uma estratégia corretiva, mas uma ferramenta de gestão essencial para transformar a mudança de estação em uma oportunidade de crescimento e maior rentabilidade na pecuária.
Fonte: Canal Rural, adaptado pela equipe iRancho.