Nos primeiros dias de vida, os bezerros enfrentam um grande desafio: se desenvolverem de forma saudável, o que torna essa fase especialmente delicada e exige uma rotina de manejo cuidadosa e eficiente.
As doenças neonatais representam uma das principais causas de mortalidade nos rebanhos, impactando diretamente a produtividade e o futuro desses animais. No entanto, com práticas simples e bem aplicadas, é possível reduzir esses riscos e garantir um início de vida mais seguro para os bezerros.
Por que os bezerros recém-nascidos são tão vulneráveis?
Diferente de outras espécies, os bovinos nascem sem imunidade adquirida, pois não recebem anticorpos pela placenta. Toda a proteção inicial depende da ingestão adequada de colostro nas primeiras horas de vida.
Além disso, o ambiente de nascimento, as condições sanitárias da propriedade e os cuidados pós-parto influenciam diretamente na resistência do animal. Pequenas falhas nesse processo podem abrir caminho para doenças sérias.
Principais doenças neonatais
Diarreia neonatal (Enterite)
A diarreia neonatal é a principal causa de mortalidade em bezerros recém-nascidos, sendo desencadeada por diversos agentes infecciosos. Os sintomas mais comuns incluem fezes líquidas, desidratação e apatia, o que compromete rapidamente o estado geral do animal. Para prevenir, garanta colostragem nas primeiras horas de vida, além de manter o ambiente limpo e vacinação adequada das matrizes.
Pneumonia
A pneumonia é a principal enfermidade respiratória que afeta bezerros jovens, geralmente causada por vírus e bactérias. Os sintomas mais comuns incluem tosse, secreção nasal, respiração ofegante e febre, sinais que indicam comprometimento respiratório e exigem atenção imediata. A prevenção está diretamente relacionada à redução do estresse térmico, à manutenção de um ambiente seco, limpo e bem ventilado, além do fortalecimento do sistema imunológico por meio da ingestão adequada de colostro nas primeiras horas de vida.
Onfalite (infecção do umbigo)
A onfalite, ou infecção do umbigo, ocorre quando microrganismos conseguem penetrar pelo cordão umbilical, especialmente em casos onde a cura não é realizada de forma adequada. Os principais sinais clínicos incluem umbigo inchado, quente, com presença de pus e febre, podendo evoluir rapidamente se não houver intervenção. A prevenção envolve a desinfecção imediata do umbigo com solução de iodo a 7–10% logo após o nascimento, mantendo o ambiente limpo, seco e evitando que o cordão entre em contato com superfícies contaminadas.
Boas práticas para prevenção
A adoção de boas práticas desde o nascimento é fundamental para a saúde dos bezerros, começando pela colostragem, que deve ser realizada o mais cedo possível, preferencialmente dentro das primeiras seis horas de vida, garantindo a transferência eficiente de imunidade. Em seguida, a cura correta do umbigo torna-se essencial: o cordão deve ser cortado na altura adequada e desinfetado diariamente com solução de iodo até a completa cicatrização, prevenindo infecções.
A identificação dos bezerros com registro individual, também é essencial para monitorar o desenvolvimento e identificar problemas rapidamente. Já a vacinação das matrizes, quando planejada, garante anticorpos no colostro, fortalecendo a imunidade dos recém-nascidos e promovendo um início de vida mais seguro.
Manejo com o iRancho
O uso do iRancho torna a rotina de cuidados mais prática e segura. Com ele, é possível:
- Registrar manejos;
- Lançar medicamentos e doses aplicadas em cada bezerro;
- Consultar o histórico individual do animal com poucos cliques.
Mesmo sem internet, o aplicativo salva os dados e os sincroniza assim que o sinal retorna, garantindo rastreabilidade e controle total dos manejos.
As doenças neonatais representam um risco real e recorrente na pecuária, mas com prevenção, atenção aos detalhes e manejo bem feito, é possível proteger a saúde dos bezerros e garantir um futuro mais produtivo ao rebanho.